"Se V. possui uma renda tenerife antiga, achou um bastidor ou uma toalhinha no baú, compartilhe essa preciosidade com outros interessados e rendeiras. Entre em contato conosco para obter com o mediador as instruções para ser co-autor do MUSEU VIRTUAL e fazer um post com sua peça. Ou mande a foto que faremos a postagem em seu nome"

"Si tiene un antiguo encaje de tenerife, has encontrado un cojin o un mantelito en el baúl, comparta esta joya con encajeras y otros interesados. Póngase en contacto con nosotros para obtener las instrucciones con el mediador y hacer un "post" con su pieza como coautor del MUSEO VIRTUAL. O envia una foto que se publicará en su nombre."

"If you have an old tenerife lace, found a rack or a small doillie in the family chest, share this preciousness with other parties concerned and lace-making. Please contact us to obtain with the mediator the instructions to be co-author of the VIRTUAL MUSEUM and make a post with your play. Or send us a photo and we will make posting on your behalf."

29 de jun. de 2015

A RENDA NO SÉCULO XIX

"Em meio a uma multidão de estilos de rendas artesanais e mecânicas a renda traduziu a transição de uma sociedade agrária para uma sociedade industrial. Ao mesmo tempo em que evocava a paixão e o orgulho do espírito humano, ela era a essência de sistemas sociais que então se encontravam a beira do colapso."

 
A renda no Séc.xvlll, com peças que demandavam anos de trabalho, era o mais precioso bem da realeza, refletindo a enorme habilidade, esforço e paixão em criar maravilhas. A ênfase estava nos detalhes minúsculos e na capacidade de a destreza  humana atingir extremos.
A renda acentuava a divisão da sociedade em classes em que, por lei, era tecido que só podia ser usado por poucos. A Revolução Francesa veio e avalizou o desaparecimento da renda associando-a à uma aristocracia falida. As leis suntuárias, que restringiam sua utilização, já não faziam mais sentido e essa nova liberdade criaria então uma impressionante procura no seio da sociedade por algo até então proibido.
O Sec. xlx foi um novo começo.
                          A memória da glória da renda, não mais restrita, criou uma demanda como jamais ocorrera antes, porém agora com um novo sentido, de liberdade e igualdade.
Apoiados por Napoleão, os centros de renda foram restaurados com milhares de rendeiras envolvidas na  produção desta arte etérea. O apurado trabalho das rendas do Sec.xvlll não pode ser resgatado como antes e a simplificação da técnica e do estilo tornaram-se metas importantes nesse novo e competitivo mercado. Essa procura se associava ao espírito da Revolução Industrial e a busca por uma técnica para tecer renda entrou no aventuroso mundo das máquinas.
Novas rendas desenvolveram-se com o apoio da nova tecnologia. O mais demorado foi fazer uma malha fina onde todos os outros elementos visuais seriam colocados. O objetivo das primeiras máquinas era fazer uma malha quase invisível, o que se conseguiu em 1809, e esta nova e relativamente barata malha ou tule seria a base para as muitas rendas novas que apareceram, assim como o tule artesanal fora base para rendas do passado.
As novas máquinas desafiaram a frágil indústria artesanal provocando, primeiramente, o desenvolvimento de rendas artesanais mais simplificadas, e depois, a estilização dos elaborados padrões barrocos. A luta entre a decadente indústria da renda feita à mão e sua concorrente feita à máquina era uma questão de mercado.



As novas rendas poderiam ainda envolver o trabalho manual naquelas ocasiões especiais em que o desafio era obter o melhor de cada uma dessas indústrias. Assim é que a separação social prosseguiria, com os ricos buscando o melhor enquanto a maioria se utilizava da inicialmente tão criticada renda mecânica.
Elementos de renda feitos com bilros ou com agulha passaram a ser aplicados sobre o tule e o esse tule mecânico se tornaria a base para uma série de novas rendas bordadas, como já se disse. A Irlanda tomou a iniciativa desenvolvendo as rendas Carrickmacross e Limerick. O tule inteiramente  decorado pela máquina (http://gwydir.demon.co.uk/jo/lace/collection/flower.htm ) demandaria ainda cerca de vinte anos e a dedicação de uma centena de mentes criativas pensando na elaboração de desenhos e texturas. Estas rendas com aplicações feitas à mão ganharam o nome de Machine Alençon, tiradas da famosa renda de agulha do Sec. 18.
Inicialmente o objetivo das rendas feitas à máquina era reproduzir as antigas rendas feitas à mão, com as quais competiam com dificuldade. Foi somente em meados do século que a renda mecânica conseguiu adquirir seus próprios contornos e atingir os mercados e a moda. Elas mantiveram os nomes tradicionais mas qualquer semelhança com aquelas era puramente acidental.
Pequenos adereços de renda já não satisfaziam mais e as novas tendências da moda pediam xales volumosos, babados e golas que a tecnologia podia agora sustentar de forma menos onerosa. Para incentivar as inovações tanto das rendas artesanais como das rendas mecânicas, grandes exposições foram realizadas em todo o continente em que ambas era promovidas, sendo mostradas as máquinas mais recentes e as rendas artesanais mais elaboradas.
A Grande Exposição de Londres de 1851 apresentou o melhor de ambos, da renda artesanal e da renda mecânica, apresentando, inclusive, a renda de agulha Point de Gaze e a nova renda Duchesse de Bruxelas, uma combinação de renda de agulha e renda de bilros. A famosa Renda Chantilly negra feita à máquina, por sua vez, tinha dificuldade em fazer frente àquela feita à mão.



As Exposições de Paris de 1855 e de Londres de 1862 deram promoveram ainda mais as novas rendas. A renda artesanal continava mantendo mais de 200.000 rendeiras na França de 1862. Uma abordagem inteiramente nova da renda à máquina só vai acontecer nos início dos 1880, fruto da colaboração entre “expertises” do bordado da Suíça e de técnicos alemães. para fazer renda nos anos 1830 a estratégia foi o bordado à máquina feito sobre o tule mecânico. Para as belas e trabalhadas rendas de Veneza então revividas, ainda era necessária a habilidade da renda feita à mão. Porém tal efeito seria alcançado com a utilização de materiais diferentes, bordando-se fios de seda sobre algodão e a seda sendo dissolvida em um banho cáustico, deixando o algodão aberto como um trabalho de renda. Era ideal para as pesadas renda venezianas, bem como para as teias da renda guipure.
Relativamente barata quando comparada com a renda mecânica cuja máquina utilizava muitos fios e uma extensa  programação dos cartões de jacquard,  esta nova renda "química" acabaria por usar as já existentes máquinas de bordar suíças com o auxílio de um pantógrafo. As primeiras máquinas de fazer renda  utilizavam fileiras enormes de agulhas que carregavam o material  para cima e para baixo e a linha era laçada em cada um dos lados. Elas podiam imitar perfeitamente os pontos de bordados à mão, mas era um trabalho intenso.
No final dos anos 1880 o aparecimento da máquina com uma só linha, uma combinação de máquina de máquina de costura e de bordado animou a indústria da renda mecânica. Em 1870, com a proliferação de revistas femininas que incentivavam o trabalho "criativo" para todas as mulheres, como por exemplo a  Petersons and Godey’s Lady’s Book and Magazine (https://en.wikipedia.org/wiki/Peterson's_Magazine ), fazer rendas se tornou um passatempo doméstico regular.
Bordados à mão, crochê , frivoletê , teneriffe  e modernas rendas com lace tornaram-se normais para os envolvidos. As rendas de lacê assumiram vida própria adquirindo novas denominações conforme eram relacionadas com um novo ponto ou um lacê extravagante ou uma nova fita. Tudo se passando em torno do uso de uma fina fita ou lacê fabricados que era colocado sobre padrões impressos com elaborados preenchimentos de renda de agulha, que iriam tomar arbitrariamente nomes como Renda Irlandesa, Honiton ou Renascença, sem ligação com as rendas históricas. O nome Renda Battenberg tornou-se hoje o nome comum para todos essas rendas .
Tendências da moda adotaram a renda à farta, incentivando a indústria. Trajes volumosos serviram para expor rendas. Os grandes xales usados com grandes saias rodadas e grandes golas Bertha eram agora usados ao redor dos ombros, em vez do pescoço, às vezes lisos, outras drapeados, para mostrar ainda mais abundância. Assim seguiu a indústria da renda até o Século xx, quando teve um severo retrocesso durante a Primeira Guerra Mundial.
                              A indústria da renda artesanal jamais poderia ser ressuscitada, nunca mais seria a mesma, e a indústria da renda mecânica titubeou até depois da Segunda Guerra Mundial, quando novas e eficientes máquinas apoiaram uma nova geração de rendas mecânicas e uma nova onda de moda de renda.
As  rendas feitas à mão a partir de então passariam a ser fabricadas nos países do terceiro mundo ou por diletantismo.



Nota: O texto é uma adaptação livre do Catálogo da Exposição Renda do Século XIX (Ninetheenth Century Lace) do Lacis Museum of Lace and Classes acontecida entre outubro/2014 e fevereiro/2015 e consta do site do Lacis Museum que foi objeto de postagem do n/site Renda Tenerife. Para complementar a compreensão do texto e do fascinante mundo da renda ilustrei o texto com algum  conteúdo obtido no site de Jo Edkins, que é um manancial de boa informação. As palavras que estão em vermelho remetem o leitor ao conteúdo nomeado com um "click" sobre elas.  



13 de jun. de 2015

Colaboração de Sandra Silva

Sandra enviou pelo n/facebook estas fotos de bastidores e de alguns módulos de tenerife para o MUSEU VIRTUAL
Elaine, uma colega do curso de artesanato teria encontrado esse material num bazar da Igreja Congregação Cristã do Brasil de Piracicaba/SP, onde moram. Como foi encontrado entre as doações feitas para a igreja não se tem mais informações.



Obrigada, Sandra, por compartilhar sua descoberta com a gente !
Para acessar o facebook da arte-educadora Sandra clique aqui.




25 de abr. de 2015

Xale em renda nhanduti






Xale em renda nhanduti proveniente do Paraguai. Gosto destas peças do cotidiano feminino que mostram a renda usada fora do circuito turístico. Mostra a versatilidade da tecelagem.
É da mãe de Elsa Noemí Quintana  . Mostra e foi postada por ela no facebook. Se v. quiser ver a postagem original com mais fotos é só clicar sobre as letras vermelhas do nome.

18 de mar. de 2015

Exposição DESIGN+TEXTIL


DESIGN+TÊXTIL é uma exposição de objetos de design utilitário construídos parcial ou totalmente com técnicas têxteis. A utilização de fios, fibras ou tecidos foi o ponto de partida para selecionar Designers brasileiros de várias regiões do pais que empregam nas suas construções esses materiais e técnicas na composição de seus objetos.

Nesta exposição é homenageado um artista que vem se destacando nos últimos anos pelo desenvolvimento de uma série de projetos premiados com identidade brasileira e design contemporâneo. Sergio J. Matos apresenta duas peças com destaque para o banco CARAMBOLA, premiado em 2012 pelo Design ExcellenceBrazil e também pelo IF Product Design Awards 2012 da Alemanha.

Aguardamos a presença de todos no dia 2 de Abril às 18h00, para a abertura.

Cortina SOLES

Participam ainda outros artistas premiados dentro e fora do Brasil. Claudia Araújo, Renata Meirelles e Ricardo Graham, são profissionais talentosos, transformadores que trabalham principalmente com tecidos e fibras na elaboração de tapetes feitos em tear manual, cadeiras forradas com vários tecidos e cordas, recortes a laser sobre tecidos variados com múltiplas utilidades.

Estão reunidos artistas consagrados e novos talentos, trazendo produtos de design utilitário, inéditos e surpreendentes, como a cadeira criada por Monique e Helena ou o tapete feito a mão por Silvia Ribeiro ou a luminária de tecido de Adriana Yazbek que reúne delicadeza, beleza e funcionalidade. Todos os designers envolvidos neste projeto se empenharam em produzir peças especiais que falassem de forma e função aplicadas às técnicas têxteis.

A cenografia foi pensada para criar um espaço com materiais de uso diário que, quando tratados, podem se transformar em peças novas e totalmente utilizáveis como é o caso das caixas de madeira que transportam legumes e verduras nos mercados do país. Criado com exclusividade pela H.Marin, os fios que compõem a cenografia dão ao local um aconchego e movimento, que é próprio do universo têxtil, e “vestem” as paredes do espaço expositivo harmonizando-se com a rampa a as emblemáticas formas arredondadas da 
Livraria Cultura.

A Livraria Cultura do Conjunto Nacional fica na esquina da Av.Paulista com Rua Augusta, Metro Consolação ou Estação Paulista (esq.R.Consolação).

Serviço:
Livraria Cultura Conjunto Nacional
Alameda Santos, 2.152 - Loja 122
Bela Vista - 01311-940 - São Paulo - SP
Horário de funcionamento
Segunda a Sábado - Das 9h às 22h
Domingos e Feriados - Das 12h às 20h

13 de mar. de 2015

NOVA AQUISIÇÃO PARA NOSSO ACERVO


"Lovely finished Teneriffe lace collar still on paper pattern. The only issue I see are a few pulled threads shown. From the middle back of the collar neck to bottom is a 12" drop. From front of the collar to bottom is 10" drop."








                                    Acabamos de comprar, deve estar sendo colocada no correio!








Uma gola em renda tenerife, provavelmente da 1° metade do Sec.XX, sem uso. A peça parece que acabou de ser feita, ainda está com o papel (decalque?) que orientou a realização/montagem da peça. 
Pelas fotos não conseguimos ainda saber com exatidão o 'knowhow" utilizado...





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